Mundo Aparte


Queridos amigos;

Estou de casa nova!

Meu último post já está lá.

http://laurabourdiel.blogspot.com/



Escrito por Laura Bourdiel às 22h00
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Classe média, média classe


Meio rica
Meio culta
Entre o que acredita ser e o que é
Meio distante, meio perto

Desde o meio, olha meio mal
Aos negros
Aos ricos
Aos sábios
Aos loucos
Aos pobres


Se escuta um Hitler
Meio que gosta
E se fala um Che
Meio também


No meio do nada, meio em que duvida
Analiza até a metade todos os feitos
E meio confusa sai as ruas com meia panela
Então meio que chega a se importar, com os que mandam meio as sombras

As vezes só, se dá conta
Meio tarde
Que a usaram de peão
Em um jugo xadrez que não compreende
E que nunca vira rainha


Assim, meio raivosa
Se lamenta
De ser o meio de que outros comem
Ao meio de um meio que não entende nem meio.

 

 



Escrito por Laura Bourdiel às 18h43
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Circunstância

Repito... não há ninguém que não se assombre ante a estupidez humana, mesmo que as vezes se esqueçam dela.
Passa alguns dias sozinha e a única que percebe é ela própria e seus pensamentos.
Outros momentos são substituidos por livros ou se guiam por caminhos luminosos; liga o computador e a alavanca digital a sepulta desde a página de início. Abre um tipo de subpasta "minha vida". Casa, amigos e trabalho em uma única tenda de lona. Por fim se entende, e no meio da dor e ruptura, a mente sobrevive agarrando-se nas mais peregrinas ocorrências. São momentos propícios para "o senhor ridículo", com quem formaria um casal cômico e, se possível, deve-se apresentar somente aos amigos. Outros tomam uma decisão igual de radical,talvez de outra forma digna. A única, a estupidez, é que pode te livrar realmente de sua circunstância.




Escrito por Laura Bourdiel às 23h30
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Banco da praça

Eu estava sentada no banco de uma praça.
Te observava inquisidoramente, sei que se sentiu inquieto.
Interrompeu um pouco seu jogo e me olhou com cara de "é comigo?"
Logo fingiu me ignorar e seguiu consigo; Me senti poderosa por um segundo.
Não ia fazer nada, só observá-lo. Acendi um cigarro com um movimento estudado.
Sei que nesse momento teve medo e meu sorriso cínico te colocava mais e mais em pânico.
Não sabias o que fazer, olhava para os lados buscando refúgio, ajuda, proteção.
Então se deu conta que estava em vantagem. Levantou vôo e ao passar sobre onde eu estava, me bombardeou!
Desde esse dia eu tenho ódio de pombos.

rs...



Escrito por Laura Bourdiel às 21h40
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CUPIDO

O cupido nunca me dava bola. Certa vez resolveu me acertar, e me acertou em cheio.
Desde então, acho que começou a treinar tiro ao alvo comigo.
E parece que as flechas não possuiam poção. Deviam possuir veneno.
Daqueles que mata aos poucos.

 



Escrito por Laura Bourdiel às 08h14
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Ai...DESILUSÃO


       A minha vida tem sido talvez mais composta de alegrias do que de tristezas, mas sou obrigada, no entanto, a provar das desilusões que vêm com um gosto horrível de segunda-feira.
  A cada momento um ciclo da minha vida se fecha. E fecha bem, trancado a sete chaves e com um segredo que nem "Harry Poter" seria capaz de desvendar. E por estas e outras que não há qualquer tipo de renovação ao que se diz respeito a novos ciclos.

   Foram algumas desilusões, porém muitas com aquilo que eu mais prezava e sentia afinidade, as pessoas que já partiram do meu convívio ou que vivem mas apenas por educação de minha parte, e com um vazio, porque me faz um mal tremendo dissimular, principalmente por quem já tive amizade, amor, ou afeto algum dia.
   Acho que jogaram alguma espécie de praga na minha vida. Lembro-me de momentos felizes em geral que aos poucos se destroem com a realidade nua e crua que se mostra, encerrando, assim, os tais ciclos.  Me deixando com aquele gosto amargo e uma desilusão dignos do tédio que envolve a hora de dormir num domingo à noite com a hora de acordar numa segunda-feira pela manhã.
   Mas eu juro que isto é apenas uma analogia, pois às vezes me pego com este amargo sentimento em momentos de felicidade que, na hora em que meu raciocínio decide ativar, comigo mesma, brota o temor de que o ciclo não é pleno em minha vida no que diz respeito a algumas coisas que eu não gostaria de ter perdido. Sou cascuda mas não carrancuda! Como em determinados momentos eu fico buscando memórias felizes que estão mal costuradas, aquelas que justamente que não precisariam ser lembranças felizes apenas.

 



Escrito por Laura Bourdiel às 15h54
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 Estou pensando... vontade de escrever não me falta, só me falta tempo.

 Toc... toc... Ainda existe alguém aí??

 



Escrito por Laura Bourdiel às 17h20
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O demônio e o eleito

Fez um pacto, uma coligação com o Demônio e ganhou as eleições. Festejou. O Demônio veio cobrar a dívida. Foi chegando perto do Eleito. Cutucou suas costas. O Eleito olhou para trás:

- O que você quer?

Tinha um tom de aspereza na fala dura.

- O que é isso? Não se lembra de mim?

- Você acha que vou me lembrar de todo mundo? Não vê que fui eleito com milhões de votos? Milhões, entendeu? Sabe o que é isso? Milhões! Não vê minhas ocupações diárias? Nem sei como você passou por minha segurança, por minha assessoria e tem a ousadia de me cutucar pelas costas. Vou chamar minha guarda pessoal!

- Calma! Não imaginei que você se esqueceria de quem permitiu sua vitória...

- Saia pra lá. Qual é a graça, agora?

- Não é graça nenhuma. Você fez uma coligação comigo, lembra? Sou o Demônio em pessoa aqui novamente! Sou quem viabilizou sua eleição...

- Olhe aqui, seu... Como é mesmo seu nome?

- Demônio!

- Preste atenção, seu Demônio! Eu fiz pacto com todo o mundo. Fiz uma grande coligação, rapaz! Deixe de ser burro! Pactos se fazem apenas pra gente se eleger. Depois mandamos todos... Esqueça! Afinal, o que você quer?

- Você está me faltando com o respeito! Você é surdo? Eu sou o Demônio! Sou o mal em pessoa! Posso acabar com você e levá-lo para minha casa pra sempre. Conhece minha casa? Lá você ficará eternamente e aprenderá a me respeitar!

- Nem conheço você, que dirá sua casa. Que casa é essa?

- O Inferno, seu Eleito dos infernos! O Inferno! É pra lá que vou levar você. A não ser...

- Deixe de gracinhas e ameaças infantis, seu idiota. Não tenho tempo a perder. Saia daqui! Se quiser vá até a sala do meu assessor parlamentar. Deixe lá seu pedido. Aliás, já vou avisando que tem uma fila enorme pra atender. Vai ter que ser paciente...

O Demônio parecia ter perdido toda a paciência. Gritou e seu gritou ecoou por toda a democracia.

- Olhe aqui, seu palerma, seu arrogante, seu ingrato. Está subestimando meu poder demoníaco. Vou levá-lo de corpo e alma para o inferno se não cumprir nosso pacto.

O Eleito virou-se para o Demônio e cresceu em tamanho. Suas roupas se rasgaram, pequenas que ficaram para o corpo que se avermelhava em brasa. Seus olhos se esbugalharam ameaçadores. Suas unhas cresceram como espadas afiadas. Seu corpo em curva se tornou gigantesco e inclinou-se perigoso sobre o Demônio.

Inexplicavelmente, o Demônio assustou-se como nunca. Sentiu-se pequeno e frágil. Lembrou-se do dia em que seu ex-chefe o expulsou da categoria de Anjo e sofreu novamente. Encolheu-se, acovardou-se e fugiu para o inferno, seu lar doce lar, onde ficou tremendo até agora há pouco.

O Eleito voltou imediatamente a ter a agradável aparência humana. Ninguém percebeu nada. Sorriu sarcástico e debochado para o espelho. Ajeitou seus cabelos com delicadeza feminina. Retocou o nó da gravata italiana, ou indiana, ou brasileira mesmo. Estava pronto para a entrevista que dará nos próximos minutos e que será transmitida por todos os órgãos de comunicação do país. Claro que será aplaudido por muito tempo por todos nós. Afinal, foi eleito por milhões! Milhões, entendeu? Sabe o que é isso? Milhões!

 

 Ao som de Paralamas do Sucesso - "Lanterna dos Afogados"



Escrito por Laura Bourdiel às 19h42
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Aqui

Aqui estamos.
Ainda hoje, apalpando vitórias em um aparente aço, que por pouco se envolve em derrotas, fumaça e sal.
Aqui continuamos.
Em habitações rodeadas de janelas, que mesmo assim, não deixam passar o de fora, que também está rodeado de janelas.
Aqui seguimos.
Tentando manter no pulso o que deveria estar no coração de um tempo armado que aponta entre os olhos dos fracos.
Aqui progressamos.
Rodeados por uma maré que jamais baixa, emparedados entre um céu e um inferno que se alternam sem uma lei fixa, saqueiam-nos os sonhos por um sentimento caprichoso que brilha nos recentes ossos polidos.
Querendo ou não, aqui estamos.
Brincando com dados em um prato de porcelana contra um gigante que jamais dorme.

 

 



Escrito por Laura Bourdiel às 22h34
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Banho gramatical

 

De mim, já fluiu.

Entre estrofes, verbos e orgias.

Retorcendo-me entre substantivos

Com sabão de ortografia

Esfregando-me com sintaxe

Para versos simples e compostos

Jogo de orações e boa morfologia

Entre sais de banho

Hidratando-me de vogais e consoantes

E com tudo em medida,

Pronto e bem passado

Secando-me com a toalha

Penteando os versos em outro ritmo

Vestindo-me com a métrica

Cantando que não há coisa melhor

Do que gozar como poeta

Perfumada e ao toque de fonemas. 

 



Escrito por Laura Bourdiel às 19h36
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Histeralgia

  Parada em frente ao hall luxuoso. Disposta desta vez, a matar alguém, armada com uma pesada 38, com as balas perfeitamente alinhadas. Sentia-me a mulher mais poderosa do mundo, elegendo caprichosamente a vitima. Diante de cada alvo, me detive alguns segundos, simulando coçar o nariz, calculava-lhe a idade, a profissão e o quanto eram felizes em sua vida. Aqueles em que eu pressentia infelicidade, eram aprovados em meu exame e sobreviviam. Ignorantes ao momento.
 Buscava gente especialmente feliz, observava advogados obesos ou donos de rendosos negócios, acompanhados de exuberantes senhoras, para esses, já lhes apontava mentalmente no peito, os assassinava com um balaço na frente, mas me contive. Não será qualquer um. Deveria ser alguém que valesse a pena, um feliz monumental, importante, um maldito feliz com muito poder. Meu jogo era esse, apostar na vida ou na morte do próximo candidato e decidir no último segundo, perdoava quem tivesse uma mancha no sapato ou na camisa.
 Ali o vi, trinta e poucos anos, terno importado, secretária que o seguia como um cão no cio, sapatos recém engraxados pelo mendigo da esquina, de olhar tenro e cabelo liso como seda. Uma senhora, com um bebê no colo lhe pede esmola, ele retira algumas moedas do bolso. Eu atiro... Num segundo, senti o melhor orgasmo de minha vida. A bala lhe feriu o peito no mesmo instante que as moedas caiam nas mãos calejadas da mulher.
 Pouco me recordo, agora me dizem os advogados e os policiais que a vítima escapou. Dizem-me isso para ferir meu ego, não me importo muito, me atrevi ao disparo, mostrei meu poder ao mundo e sobre tudo a mim mesma. A felicidade tem formas estranhas. Sozinha, incrustada de uma feiúra insolente, virgem e aos sessenta e dois anos, consumei minha ilusão.

 

 

 

 



Escrito por Laura Bourdiel às 20h47
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Amor pra viagem


Vende-se Amor. Em frascos de 100 e 150 ml.

Pode ser que vejamos um anúncio desse tipo em um futuro não muito distante, ocasionado, sem dúvida, pela crescente vulgarização do tema; pode ser até que, ao entrarmos em um supermercado, deparemo-nos com a seguinte situação:

- Este Amor é profundo?

- Profundíssimo, senhora. É inspirado no amor de Romeu e Julieta, com notas de gerânio e um toque de Soneto da Fidelidade.

- "De tudo ao meu amor serei atento....?"

- Esse mesmo.

- Parece ser bom, mas o que eu queria mesmo é algo do tipo música sertaneja, entende? Um amor de folhetim...

- Novela mexicana!

- Isso! Tem??

- Está em falta. Levaram o último pouco antes de você chegar.

- Era dos bons? Daqueles que se passa a maior parte do tempo chorando?

- Se era! A Silvio Santos Corporation comprou todos os direitos sobre a sua comercialização. Estão dando até um lenço como brinde.

- Droga... Perdi o último, vou ter de esperar até que recebam um novo lote.

- É a saída. Mas se quiser temos algumas unidades inspiradas nas letras do Zezé de Camargo, com notas de Maria do Bairro.

- Notas de coração?

- Não, de fundo.


- Não era bem isso que eu queria, mas...

- São os últimos, aproveite.

- Vá lá, embrulhe dois pra viagem. Eu levo.

 

 



Escrito por Laura Bourdiel às 20h00
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Reflexão metafórica sobre a vida

Era noite e o sol brilhava, quando os sapos brincavam de flor em flor e as borboletas de poça em poça; eu, sentada em uma cadeira de madeira quadrada meio retangular, lendo um livro sem letras à luz de uma vela apagada.
 Logo ouvi um estrondo na varanda, vi vinte mortos que resultaram feridos, ao virar-me encontrei com um morto meio vivo, saquei a minha arma de fogo afiada e o expulsei aos pontapés. (!)

 

 


 



Escrito por Laura Bourdiel às 20h43
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América Latrina

É demais dizer que a verdade não se compra
E que a mentira não se nomeia 
Ao estado surge alguma depressão
Não pode ser,
Parece que não há mais o que fazer
Segues tão frio sob o sol que te observa
Ficaste mudo e amassado pelo poder
Aquele que caiu sobre a sua nuca
Não sabes se é para o bem,
Não sabes se é para o mal.
Não sabes em quem irás votar
Não sabes se é mal que não consigas pensar.
Segues girando ao redor do mesmo lugar.

E sempre te lembram,
Que as pessoas quando querem, se fazem ouvir
Sempre te lembram,
Que as pessoas quando escutam, querem fazer.

 

Ao som de Rammstein - "Ich Will"

 



Escrito por Laura Bourdiel às 08h09
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Verde e Azul

Se falasse de você eu não pronunciaria
as sílabas supremas
Você me beija e eu gosto
Meu verde com o teu azul
Delírio em ramos
Algas no seu mar
Mata voraz no seu mundo
Meu verde com o teu azul

Me abstenho de pronunciar
estas sílabas sublimes
Você me abraça e eu gosto
Teus pelos fazem  jogo com o meu vestido
Teu dedos escorregam em minhas meias
Algas no seu mar
Mata voraz no seu mundo
Meu verde com o teu azul...

 

Ao som de Nirvana - "Something In The Way"

 



Escrito por Laura Bourdiel às 08h42
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Brinquedos quebrados

 Hoje pensei no tamanho que eram meus sapatos quando eu observava o mundo encima do escorregador. Eu gostava de deitar num parque e imaginar viagens num balão em direção ao Nepal, onde o céu me parecia pintado a base de aquarelas. Nos meus sonhos, perguntava-me sobre a capacidade que tinham os mosquitos de brincar de esconde-esconde nas janelas. Tudo era possível, por isso eu pilotava aviões parecidos com o 14Bis enquanto um esquilo me oferecia chocolate. Velhas bailarinas me ofereciam seus melhores passos, e crianças podiam rir em museus. Nos dias ímpares eu gostava de viajar à Nova York, cidade de brinquedos quebrados, gente com mãos pequenas e vendedores de jornal que tinham um olho de vidro. Meu bairro não formava nenhuma viagem extraordinária, mas era em seus cantos que eu desfrutava do tempo comendo doces, sonhando que tudo era tão fácil com abrir uma caixa e encontrar os segredos das borboletas. Porque para uma menina de seis anos em média não há nada mais divertido do que acreditar em suas próprias mentiras. No meu sétimo ano decidi, que apesar de ser difícil acreditar, eu continuaria contando libélulas azuis antes que o mundo começasse a submergir em algo que eu não fosse capaz de pronunciar. Agora, completando meus 21 anos de existência, tento recordar emoções tão simples. Compliquei de vez o meu mundo ou meu "Mundo Aparte" começou a se pronunciar?

 

Ao som de Maná - "Cuando Los Angeles Lloran"



Escrito por Laura Bourdiel às 07h10
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Retrô

Há ressuscitado um Papa,
Algo comum e seguramente ex-professo,
Acontecimento noticiável e choroso
Pelo que não renunciarei a divertir-me
Exercendo um diagnóstico incurável
Repartindo hóstias a torto e a direito
Ou deixando-me arrastar por uma cômoda idéia de inferno
Cada um de meus instintos de saúde
Da flamejante conclave e cardeais,
Expressando aos meus próximos
A necessidade de uma lei a favor da eutanásia
Que é um fato entre todos os papagaios de Deus.

Não há nada de extraordinário em minha reclamação
E tampouco no adornado cadáver de um homem
Que tinha de pastor o que outros tinham de cachorro ou rebanho.
Se há matado também mais gente,
De fome ou de qualquer outro genocídio,
Algo comum e também choroso,
Pouco noticiável nestes tempos.
Não te sentes idiota, ou quiçá imbecil?
Contemplando como se estivesse dentro da televisão?
Anoitece na Cidade do Vaticano?

 



Escrito por Laura Bourdiel às 16h42
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Abistract bich

 Ela gosta de cruzar as pernas quando você passa, sobe um pouco a saia e te ensina no final de suas apostas. É uma mulher que vive nos hipódromos para roubar a sorte de homens que esperam por trás das arquibancadas. A ela não lhe cabe os sinais do trafego, nem os potes de conserva que estão de oferta na semana, ela não gosta de comprar, não gosta de roubar, nem pedir emprestado. Ela gosta de deslizar-se e deixar que os demais lhe ofereçam alternativas.



Escrito por Laura Bourdiel às 13h36
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Periódico

 Sonhos perdidos ou roubados? Tempo sem luz. Espaço vazio. Vida fragmentada. Palavras sem resposta.
 Olhares que perguntam...Por ontém, hoje e amanhã.

 

Ao som de Legião Urbana - "Monte Castelo"

 

 



Escrito por Laura Bourdiel às 21h34
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Sabor

Na pobreza de nos sentirmos humilhados
Sóbrios da vida, pouco embebidos por desejo.
Tocados por vestimentas râncidas.
A miséria de escutar nossas vozes
Recordando os velhos tempos
Saboreando momentos intensos
Felizes entre trapos do mundo
Adúlteros deslizando em estranhas camas
Um beijo com a língua,
Uma devoção compartida, mas triste.

Precipício de fúria, abismo de nosso pulso,
Quando despertamos com o sexo humilhado entre as pernas.
Nos conhecemos órfãos nos clarões da noite,
Entre a luz e a escória de nossas desencaixadas faces.
Envelhecidos pela viagem ousada do tato e da nostalgia.
Diminuídos pelo prazer desumano que aparece e desaparece
A própria vida que em gestos proibidos
Descobre-se sozinha e sem palavras
Une sua nudez ao irreconhecível alento.
Jogando-se ao chão com dentes largos
Recorda-se de um abraço
Um tanto preguiçoso sobre o piso frio.



Escrito por Laura Bourdiel às 13h46
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